sábado, 19 de junho de 2010

Autoexclusão é maior obstáculo em entrada de aluno carente no vestibular, diz coordenador da Unicamp

Ana Okada
Em São Paulo
Atualizada às 11h48

Desde 2006, o número de inscritos nas isenções de taxa do vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) vem diminuindo. O programa começou em 2000, com 2.075 inscritos. Até 2006, o número cresceu, chegando a 11.903 interessados. Em 2007, a procura foi de 9.481; em 2008, 9.225; em 2009, 7.575; e em 2010, apenas 6.361 se inscreveram para obter o benefício.

De acordo com Maurício Kleinke, coordenador de pesquisas do vestibular da universidade, esse é um processo de "autoexclusão". "Não sabemos precisar se vem da dificuldade de locomoção, ou do Prouni (Programa Universidade para Todos), ou pelo fato de as três universidades paulistas terem processo de isenção de taxa", pondera.

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O professor conta que, nos últimos anos, o número de inscritos de escolas públicas também caiu. Ele atribui essa aparente "falta de interesse" dos estudantes à falta de conhecimento dos benefícios que a universidade dá a estudantes carentes. "A gente sempre faz campanhas de divulgação mas o desconhecimento ainda é grande, nem sempre eles sabem que, depois que entram, podem ter bolsas de trabalho, alimentação, transporte, e moradia", diz.

"No fundo, a Unicamp é uma universidade de elite, com excelência acadêmica, mas também é uma universidade com todas as condições de qualquer bom aluno apresentar um bom desempenho, estando dentro. Um aluno carente terá todo o apoio para se desenvolver", explica Kleinke.

Igualdade
Na Unesp (Universidade Estadual Paulista), a isenção de taxa começou a ser dada em 1995, no Programa de Formação de Professores, para quem prestasse cursos de licenciatura. Depois, a universidade começou a dar isenção a candidatos carentes financeiramente e, atualmente, dá o benefício também a alunos de escolas públicas.

De acordo com a diretora acadêmica da Vunesp, Tânia Cristina Arantes Macedo de Azevedo, além de oferecer isenção e redução de taxa como forma de incentivar a participação dos alunos de escola pública, a instituição desenvolveu outras ações de inclusão tais como a utilização, a partir de 2010, da proposta curricular do Estado de São Paulo, a mesma adotada na rede pública.

"O resultado disso é que está crescendo o número de alunos com salários menores. Enquanto em 2000 só 3% dos matriculados tinham renda menor do que 1,9 salários mínimos, em 2010, o percentual foi para 10%", diz.

A meta do vestibular, segundo Tânia, é que a proporção do percentual de matrículas de alunos de escolas particulares e públicas chegue à igualdade, como era no passado. "Em 2003, o percentual de alunos de escolas privadas chegou a quase 65%; conseguimos conter esse avanço e hoje a proporção de estudantes de escolas públicas voltou a crescer", comemora a coordenadora.

Como ter isenção
Para obter a isenção de taxa, o estudante precisa se inscrever no período indicado pela instituição. O vestibulando deve ser de baixa renda e deve ter cursado o ensino médio em escola pública.

Após a inscrição, os interessados devem ficar atentos à entrega da documentação comprobatória e à divulgação da lista de isentos. Após o período, o beneficiado deverá efetuar a inscrição no vestibular.

Bônus no vestibular
Além dos programas de isenção de taxa, a USP (Universidade de São Paulo) e a Unicamp oferecem também bonificação. O da USP --O Pasusp (Programa de Avaliação Seriada da USP)-- é voltado a estudantes de escolas públicas e ocorre por meio de uma prova, que pode valer pontos extras na Fuvest.

O Paais (Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social), da Unicamp, é voltado a alunos de escola pública e estudantes afrodescendentes ou indígenas. Para participar, é preciso indicar a opção na inscrição do vestibular.

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