segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O processo de construção da identidade social

A identidade social é caracterizada essencialmente pela forma como nós próprios nos vemos, ou seja é um sentido do “eu” conjugada com a forma como os outros nos veem.

Quando nos autocaracterizamos estamos ancorados num determinado modelo com o qual nos identificamos, quer isto dizer que a identidade social requer um certo grau de escolha, ao mesmo tempo que exige um nível de consciência.
Estudos da década de 60 e 70 revelavam que a identidade estaria ligada a estruturas tradicionais de classe, não sendo, portanto, algo individual mas coletivo, intimamente ligada ao fato de um indivíduo pertencer a uma determinada classe social e em que todos os indivíduos pertencentes a essa classe teriam a mesma identidade. Desse modo, esta era imutável, circunscrita e permanecia no tempo com alguma solidez, tornando o assim o individuo dependente da estrutura social e não das suas próprias escolhas.
Para refutar estes paradigmas surgem os estudos sociológicos pós-modernistas e pós-estrutualistas que defendem uma identidade individual assentada numa dinâmica social influenciada pelas relações socias entre os indivíduos que compõem essa mesma sociedade. A identidade social é vista agora como algo que se constrói individualmente, algo que é dinâmico e pouco estável.

Segundo estes estudos contemporâneos o individuo possui várias fontes identitárias, identidade de gênero, identidade nacional, identidade etária, identidade étnica, identidade profissional e entre outras.

A influência que a classe social, a religião ou a política tinha sobre o individuo deixa assim de fazer sentido, passando este a definir a sua própria identidade, de acordo com as suas escolhas e as suas experiências individuais, independentemente da estrutura social em que está inserido.

São as relações face à face que determinam o processo de construção identitária, a socialização primária e secundária tornam-se assim bastante importantes, pois os indivíduos necessitam uns dos outros para formarem a sua própria identidade. De acordo com Richard Jenkins (1996) as identidades não são inatas, não nascem conosco, precisam ser construídas e esta construção passa pela interação com o outro, pois só a interação social permite viver em sociedade.

Vivemos hoje numa sociedade altamente globalizada em que tudo é muito dinâmico, instável e flexível, quer a nível profissional, econômico ou político, como tal as identidades tornam-se também instáveis e susceptíveis às escolhas que cada individuo efetua. Ao mesmo tempo em que surgem as mudanças sociais, a alteração de valores e padrões que regem uma sociedade, assim também os indivíduos têm poder para moldar a sua própria identidade.

O papel da escola e da família no processo de socialização

A socialização é um processo que implica interação social, entre o individuo que está a ser socializado e a sociedade que o envolve. Este processo tem inicio na primeira infância e prolonga-se ao longo da vida, denominando-se de socialização primária a que ocorre na primeira infância e socialização secundária a que ocorre a partir da fase da adolescência.

É através da socialização que o individuo se torna um ser social, pensante, atuante, pois assimila a cultura, as normas, os comportamentos e as condutas do grupo social em que está inserido, é através deste mecanismo de construção e interiorização que a criança adquire comportamentos considerados adequados e corretos à sociedade e ao que dela é esperado, é também através do controlo social que são impostas regras de conduta que devem reger os comportamentos dos indivíduos de forma a harmonizar os padrões de convivência social.

As crianças nas suas relações sociais com os demais descobrem que se torna necessária a reciprocidade para agir conforme as regras, tendo em conta que as regras são efetivas se as pessoas concordarem em aceitá-las.

A família, a escola, os meios de comunicação social e outras instituições sociais que compõem a sociedade são os responsáveis, ou seja, são os agentes de socialização.

A família e a escola são os grupos que têm maiores repercussões neste processo de socialização, a escola não só detém o papel de transmissão de conhecimentos científicos, denominada de socialização formal, como também cabe a esta o desenvolvimento de capacidades cognitivas, afetivas, capacidade de relacionamento em sociedade, competências comunicativas e participação na formação da identidade individual de cada aluno, denominada de socialização informal.

A família é a base afetiva do individuo, é a esta que se delega a responsabilidade de satisfazer as necessidades básicas da criança logo à nascença, para além disto a transmissão de cultura que envolve todas as práticas e saberes acumulados de geração em geração dá-se também no seio desta instituição.

A partir destas reflexões compreende-se a importância que a família e a escola têm como pilares para a formação da identidade e personalidade do individuo bem como transmissores dos princípios éticos e morais que permeiam a sociedade.